Palestra: “O impacto da maternidade na identidade profissional da mulher”

Há um momento — silencioso, estrutural, quase invisível — em que a maternidade reconfigura tudo. O corpo, a energia, a atenção, o tempo, a forma como se decide. Não como episódio. Como arquitectura.
E, ainda assim, as organizações continuam a operar como se nada tivesse acontecido.
É neste território — entre o que muda profundamente e o que permanece artificialmente igual — que se inscreve a minha participação nas II Jornadas de Psicologia das Organizações, Social e do Trabalho, promovidas pela Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
A sessão que irei conduzir propõe uma leitura exigente sobre a forma como a maternidade continua ausente das estruturas reais de decisão organizacional. Ausente nos modelos de desempenho, nos critérios de progressão, nas expectativas de disponibilidade. Ausente, sobretudo, como variável legítima de análise.
O que se produz, a partir dessa ausência, não é apenas desconforto individual. Produz-se distorção sistémica.
Distorção na avaliação. Distorção na liderança. Distorção naquilo que se entende como mérito.
A maternidade não altera apenas a vida da mulher. Altera o sistema.
E tudo o que não é integrado com consciência transforma-se em erro repetido.
Esta sessão nasce dessa urgência: trazer clareza onde existe simplificação, estrutura onde existe omissão, e responsabilidade onde existe silêncio.
